Visualizando Itens do Catálogo #29
Data: 29/06/2025 | Status: I
"Mater Carmeli do São Francisco"
Assinada e Datada Penedo · Brasil · Séc. XX
"Mater Carmeli do São Francisco"
Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus "Atribuição Devocional"
Escultura monumental em madeira maciça – 1 metro
Assinada e datada (1981) — por Antônio Francisco Santos
Escultura monumental em madeira maciça representando Nossa Senhora com o Menino Jesus, atribuída à invocação de Nossa Senhora do Carmo, de autoria de Antônio Francisco Santos, assinada e datada em 1981, na cidade de Penedo, Alagoas.
Com 1 metro de altura, a obra destaca-se pelo porte excepcional dentro da produção da imaginária sacra nordestina do século XX, configurando-se como peça de forte presença arquitetônica e cenográfica.
A composição vertical, aliada ao panejamento profundo e ao rigor no entalhe dos volumes, evidencia domínio técnico maduro, permitindo leitura fluida das formas mesmo em grandes dimensões — qualidade rara em esculturas de madeira desse porte.
Os rostos de expressão serena e a postura equilibrada das figuras reforçam a leitura devocional e contemplativa, enquanto a execução em bloco único, sem policromia, valoriza os veios naturais, a textura da madeira e a materialidade da obra.
A assinatura, a datação e a indicação de procedência entalhadas na base conferem alto valor documental, autenticidade e relevância patrimonial.
Trata-se de exemplar de escala monumental (1 metro de altura), indicado para acervos de arte sacra brasileira, coleções de referência e projetos de ambientação de alto padrão que demandam uma peça central de grande impacto simbólico e visual.
Arteguidade – curadoria de peças que atravessam o tempo
"Sei-in no Kama – O Selo do Forno de Arita"
Arita-yaki, na região de Arita, província de Saga, Japão
Bule em porcelana japonesa, província de Saga, Japão, reconhecida como o berço da porcelana japonesa desde o início do século XVII.
A peça apresenta corpo globular em porcelana de alta vitrificação, com esmaltação branca leitosa e decoração em azul sob esmalte, organizada em composição floral estilizada na tampa e painéis orgânicos no corpo.
Possui bico integrado ao bojo, filtro cerâmico interno perfurado e alça móvel em bambu natural trançado, elemento tradicionalmente associado aos utensílios destinados ao preparo e ao serviço do chá.
Na base, observa-se um selo em azul, de leitura extremamente sutil, associado à identificação de forno (kiln mark), prática recorrente na tradição cerâmica japonesa. Diferentemente da lógica ocidental de marca, este tipo de inscrição representa a linhagem produtiva, a técnica transmitida e a continuidade do fazer artesanal.
Na leitura curatorial da Arteguidade, Sei-in no Kama – O Selo do Forno de Arita não se apresenta como um objeto de exibição ornamental, mas como um verdadeiro objeto cultural de uso, concebido dentro do ritual do chá e portador de uma memória técnica, territorial e simbólica.
Trata-se de um exemplar de produção Arita-yaki de caráter utilitário refinado, indicado tanto para coleções de porcelana oriental quanto para ambientações que valorizam peças de origem, narrativa e presença silenciosa.
Serviço Inglês Johnson Bros com Frisos em Platina
Clássico de Chá e Café "61 peças"
Serviço inglês em porcelana fina, produzido pela tradicional Johnson Bros – England, composto por um conjunto extremamente completo de 61 peças, destinado aos rituais formais de chá e café.
O conjunto apresenta decoração em frisos de platina (filetes prateados) aplicados manualmente, acabamento característico da porcelana inglesa de padrão refinado, reconhecido pelo brilho frio e pela sobriedade estética.
Diferentemente dos conjuntos com frisos dourados.
O desenho revela linhas suaves, proporções equilibradas e linguagem clássica, características das produções britânicas de meados do século XX voltadas ao uso doméstico de alto padrão.
Extremamente completo e homogêneo, o conjunto encontra-se em estado de conservação excepcional, sem marcas aparentes de uso, com esmalte íntegro e frisos preservados, configurando um serviço de elevado interesse para colecionadores, composições decorativas clássicas e mesas de recepção de alto nível.
Caixa publicitária “Manná Gerace”
Itália / Brasil, c. 1920–1945
Folha-de-flandres litografada.
Rara embalagem publicitária original produzida em folha-de-flandres, litografada em verde e vermelho, com identidade gráfica característica do período entre-guerras e inscrição “Qualidade Superior”.
A marca Manná Gerace insere-se no contexto das casas de origem italiana que abasteciam empórios, boticas e farmácias no Brasil nas primeiras décadas do século XX, quando o comércio urbano se estruturava como espaço de sociabilidade, cultura e difusão de produtos importados.
O desenho tipográfico, a composição cromática e o layout frontal demonstram claramente a transição entre a estética ornamental do final do século XIX e a linguagem publicitária moderna, já voltada à leitura rápida e à memorização visual da marca.
O exemplar preserva sua pátina original, com marcas naturais de uso, abrasão e oxidação superficial, características plenamente compatíveis com sua função original e com sua trajetória histórica. Trata-se de uma peça de alto interesse para colecionadores de memorabilia publicitária, história do consumo, design gráfico antigo e ambientações curatoriais de inspiração boticária, industrial ou vintage.
📏 Medidas: 15 × 10 × 19 cm.
"Conjunto Europeu de Licor em Vidro Rubi"
Europa, c. 1955–1975
Conjunto europeu de licor composto por licoreira e cinco cálices, executados em vidro artístico rubi por sobreposição, com ampla douração vitrificada e decoração floral aplicada manualmente em esmalte.
Produção atribuída a ateliê europeu especializado em vidro artístico decorado, com forte influência das tradições da Boêmia e da região do Vêneto, em especial da linguagem inspirada no façon de Venise, perceptível nas hastes torcidas e na construção leve das peças.
A licoreira apresenta corpo soprado, bico modelado a quente e alça aplicada manualmente, confirmando processo artesanal de fabricação. A decoração foi realizada posteriormente ao sopro, com pintura manual e queima vitrificada, técnica típica dos ateliês decorativos europeus da segunda metade do século XX.
O conjunto preserva perfeita coerência formal, cromática e técnica, sendo datável, com elevada segurança curatorial, entre as décadas de 1950 e 1970.
Peça representativa do período de revitalização da vidraria artística europeia no pós-guerra, quando antigas linguagens venezianas e boêmias foram reinterpretadas por oficinas contemporâneas voltadas à alta decoração e ao mercado colecionista.
Conjunto de grande impacto visual e alto valor decorativo, indicado tanto para acervo particular quanto para ambientações de padrão clássico e contemporâneo refinado.
"Memória do Lar – Crucifixo Domus Fidei"
Décadas de 1920 e 1940
Crucifixo doméstico de parede, produzido entre as décadas de 1920 e 1940, composto por base em madeira maciça recortada, cruz metálica aplicada e escultura de Cristo em liga metálica com acabamento dourado por pátina.
A peça apresenta ornamentos metálicos nos quatro extremos, plaqueta superior com inscrição INRI e cordão têxtil original com borlas laterais, elemento raramente preservado em exemplares desta tipologia.
O conjunto corresponde a um modelo amplamente difundido em residências brasileiras do início do século XX, associado à espiritualidade cotidiana e à vivência religiosa doméstica, sendo tradicionalmente disposto em corredores, quartos e pequenos oratórios familiares.
A pátina natural do metal, o escurecimento homogêneo da madeira e a ausência de intervenções recentes conferem ao conjunto elevado grau de autenticidade histórica.
Sob a curadoria da Arteguidade, Memória do Lar – Crucifixo Domus Fidei representa, de forma sensível, a cultura material da fé no interior das casas, evocando diretamente o ambiente afetivo das antigas residências familiares — a chamada “casa de vó” — onde devoção, silêncio e convivência se misturavam na rotina do lar.